segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Ranking de empresas com o método PB

Hoje, eu vou apresentar uma tabela com um exemplo de ranking de ações que a minha rotina de seleção de ativos gerou. Quem acompanha o meu blog sabe que não faço análise ativa das empresas.

Isso significa que não leio balanços, releases, fatos relevantes, guidances, fóruns, nem notícias na mídia para decidir em quais empresas investir. Essa forma de investir traz vantagens e desvantagens que falarei mais abaixo.

Se você está chegando agora, vou resumir no que consiste o meu processo de seleção de papéis para ficar mais fácil entender a tabela abaixo. Todo o investimento que faço em ações é baseado apenas numa rotina pré-definida que utiliza dados fundamentalistas de todas as empresas disponíveis na bolsa. Esses dados eu retiro do site Fundamentus e exporto para o Excel.

Com base em cinco múltiplos fundamentalistas, que indicam se a empresa está cara ou barata, cada empresa tem seus múltiplos submetidos a uma fórmula que resulta numa nota individual. Depois basta colocar em ordem as notas que surge o resultado. O resultado é um ranking que começa com as empresas mais baratas e que segue progressivamente encarecendo. A lógica do investimento é comprar as empresas mais baratas.

É claro que o conceito de caro ou barato é partindo das premissas do método utilizado. Ele não tem a pretensão de declarar de forma absoluta isso. Muitas pessoas não irão concordar que aquela ou esta empresa esteja cara ou barata.

Esse método de investimento foi retirado do livro "What Works on Wall Street" de O' Shaugnessy. Já falei desse livro quando apresentei os resultados de investimentos baseados em P/L, P/VP, DY e ROE na série "O que é eficaz". A diferença é que o método que utilizo faz uso da combinação de 5 múltiplos e não de apenas um. Esse livro mostra que a combinação de mútiplos resulta em desempenho melhor ainda.

Acima de tudo, o importante do método é que ele é imparcial e objetivo, não tem sentimento, torcida ou preconceito por empresa alguma. Isso faz dele à prova de emoções. E emoções e bolsa não combinam.

A tabela abaixo foi gerada com dados do dia 18/11, portanto considerou o preço de fechamento desse dia e já o resultado do terceiro trimestre de todas as empresas.


Em tese a melhor carteira seria aquela formada com as empresas nas primeiras posições. Por exemplo, se o investidor quisesse ter 5 papeis, então deveria comprar as 5 primeiras, se quiser 10, compraria as 10 primeiras e assim por diante.

As empresas com asteriscos do lado de sua posição no ranking são empresas que tenho na carteira. Repare que não são exatamente as empresas mais bem colocadas, mas existem vários motivos para isso.

Primeiro, que eu utilizo um filtro de liquidez mínima para eu investir e isso acaba excluindo várias empresas no ranking, inclusive muitas bem posicionadas. Segundo, que tenho limites a exposições por setor, então quando esse limite atinge sou obrigado a pular uma empresa do mesmo setor e pegar as próximas. Exemplo disso são as elétricas, no geral elas ficam bem posicionadas, mas não vou me entupir delas. Terceiro motivo é que o ranking é dinâmico. Todo dia há pequenas alterações de posições em função da variação de preços, mas isso não me faz ficar alterando minha carteira. A carteira é ajustada apenas a cada trimestre.

Mas repare que as minhas empresas estão praticamente todas dentro do primeiro quartil. As piores colocadas são csna e fjta. As duas estão perigando sair da carteira no próximo balanço. A primeira porque seu preço subiu muito e com isso caiu no ranking, indicando que ficou cara. A segunda caiu no ranking por conta do resultado ruim. Ambas precisam vir com um balanço bom no próximo trimestre para melhorarem no ranking e continuarem na carteira. 

Eu vendi kepl3 mês passado por R$ 33,00, porque, apesar do balanço bom que veio, seu preço subiu muito fazendo com que sua posição no ranking caisse. Repare na tabela sua colocação em 148º. Ela estava nessa posição quando vendi. Depois vi o preço subir até R$ 42,00 para meu desespero. Hoje vi a kepl3 desabar para R$ 31,00. Se continuar caindo, uma hora o método vai dar compra e eu volto para ela.     

Se você sentir falta de alguma empresa no ranking é porque ela sequer passou por um pré-filtro para poder entrar no ranking.

Vantagens

A maior vantagem é o tempo livre que o método proporciona. Eu fico semanas sem abrir o home-broker e é comum passar o mês sem comprar ou vender nenhum ativo. É muito sossegado. A rotina é feito toda na mão, não tem nada automatizado, mas eu preciso fazer ela apenas na época de balanço.

Outra vantagem é segregação de funções. Eu aporto o dinheiro, mas o método é que diz onde investir. Toda minha experiência de vida que resulta em subjetivismos com preconceitos, torcidas e achismos, coisas difíceis de se mensurar economicamente, de nada influem na decisão.  

O giro na carteira é pequeno, isso significa poucos gastos com corretagens. No longo prazo essa economia ajuda na rentabilidade.

Pouca sensibilidade às oscilações momentâneas. O método não vai te fazer vender um papel só por causa de uma pequena alta. Kepl3 só vendi depois de ganhar 150%. Csna já rendeu 50% e ainda não deu venda. E ainda que o resultado de um trimestre seja ruim, é provável que o método não exclua da carteira, o que dá chance da empresa se recuperar no próximo. Ou seja, dá tempo para a empresa mostrar o resultado.

Desvantagens

Não garante um desempenho formidável, apenas alguma coisa acima da média de mercado e no médio prazo. No curto prazo pode perder fácil para o mercado.

O método foi testado no mercado acionário americano. Posso apenas induzir que funcione aqui também.

Para capturar a sinergia do método é necessário ter uma carteira com muitos papeis. Ter 5 ou 10 papeis é pouco, não vai conseguir observar um ganho de desempenho em relação ao mercado, ou para que isso transpareça seria necessário décadas. Mais de 30 papeis também não precisa ter. Acima de 30 o acréscimo de um papel não faz tanta diferença. O ideal é de 20 a 30.

Os bancos por apresentarem resultados diferentes, não possuem todos os múltiplos, ficando impossibilitados de participarem do ranking.

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Investir com base no ROE é eficaz?

Olá pessoal, este é mais um post da série "O que é eficaz" no mercado acionário. Nos posts passados dessa série apresentei o resultados de investimentos baseados no Preço/Lucro, P/VP e DY. Se você quiser saber qual foi resultado clique nos links.

Agora eu vou mostrar o resultado de investimentos feitos exclusivamente com base no ROE. Return on Equity, ou ROE, que significa Retorno sobre o Patrimônio. Ele é calculado dividindo-se o Lucro Líquido pelo Patrimônio Líquido da empresa. A lógica dele é que para um dado patrimônio se espera retirar dele o maior lucro possível. Assim, quanto maior o lucro para um mesmo patrimônio, maior o ROE. O senso comum diz que quanto maior o ROE, melhor a empresa é, e que portanto isso deveria se refletir, no longo prazo, no preço das ações. 

Os resultados desse backtest eu retirei do livro What Works on Wall Street de O'Shaughnessy, 4ª edição, que não tem versão em português.

O backtest consistia em ranquear as ações do mercado americano em ordem decrescente de ROE e separar em grupos de 10%, chamados decis, e acompanhar mensalmente o rendimento desses decis com base num investimento inicial de $10.000,00 em cada decil. O backtest utilizou dados de 46 anos. Mais detalhes do método do backtest eu já descrevi nesses posts anteriores, portanto não vou repetir aqui, assim podemos ir para os resultados diretamente.

Como você pode ver na tabela abaixo retirada do livro, o primeiro decil, de maior ROE, gerou o maior rendimento. O rendimento médio composto foi de 12,29% ao ano, enquanto a média de todas ações renderam 11,22%. Uma diferença de pouco mais de 1% ao ano. Os rendimentos mostraram tendência de cair, na medida que o decil aumenta, ou seja, com o ROE diminuindo.


Uma informação importante dessa tabela é o Índice Sharpe (IS) de cada decil. O primeiro decil, apesar de ter o melhor rendimento, possui um oscilação maior de preço (desvio padrão), resultando num IS de 0,35. O IS quanto maior, melhor. Então, o melhor decil para IS foi o sexto, com IS de 0,42. Isso significa que apesar dele render menos que o primeiro decil, seus preços variavam bem menos, trazendo mais previsibilidade ao investidor.

Para entender melhor o que essa oscilação significa, veja o gráfico abaixo:


Esse gráfico mostra o excesso ou déficit de rendimento das ações do primeiro decil (maior ROE) com relação à média de todas as ações. Para amortecer a variabilidade, o gráfico calcula esse excesso/déficit considerando uma média móvel de 5 anos. Repare que, ainda assim, o primeiro decil perde, em alguns períodos, para a média do grupo. O maior período foram 7 anos perdendo para a média. Ou seja, mesmo se investindo no primeiro decil, corre-se o risco de se perder para média de mercado por muito tempo. Quem aguentaria seguir essa estratégia perdendo para o mercado por tanto tempo?

A tabela abaixo traz os detalhes mais técnicos do primeiro decil comparado com o resultado de todas as ações.


O gráfico abaixo traz a mesma informação na primeira tabela, mas na forma de barras.



A conclusão do autor é que o ROE maior apresenta maior desempenho, mas por uma margem pequena. Mas na prática, o que serve de útil ao investidor é que ele deve apenas evitar as empresas com os menores ROEs, pois o nono e décimo decis apresentaram rendimentos bem inferiores à media.

A minha conclusão é que o resultado do investimento com base no ROE, apesar de mostrar uma clara tendência de que o ROE maior ser melhor, confirmando o senso popular, na prática ele foi pouco eficiente em extrair valor para o investidor, além do que a média de mercado já produz.

Para entender o que estou dizendo, basta ler o post que mostro os resultados de investimentos com base no P/L e ver a diferença, além de que existem outros múltiplos que apresentam ótimos resultados, nos quais discorrerei em posts futuros.

domingo, 1 de dezembro de 2013

Rentabilidade - Novembro de 2013

O rendimento da carteira PB foi de 0,48% contra uma queda do Ibovespa de -3,27%, o que me deu uma vantagem de 3,88%, bem acima da minha meta. O rendimento no ano ainda é negativo de -4,90%, mas o acumulado do ano que estava abaixo da meta voltou a ficar acima da meta (10,44% > 9,16%). 

Veja o quadro abaixo para mais detalhes:



Na prática fiquei R$ 800,00 mais rico. O rendimento acumulado desde o início da carteira aumentou para 10,26%, mas ainda abaixo da meta total (14,47% < 15,42). 

Não aportei nada, estava previsto o aporte padrão, mas estou aguardando a definição de um negócio, por isso segurei a grana. 

Nesse mês vendi coce3 e kelp3. A primeira com prejuízo de 8%. A segunda comprei por R$ 13 e vendi por R$ 33. Lucro de 150% em 7 meses. Kelp3 fechou o mês valendo R$ 42. Perdi mais essa alta de 27%. Comprei mtsa4 e estou tentando comprar outro papel, mas a liquidez está dificultando.

Segue a carteira atual:


Ressalvo que a linha Rend dessa tabela é a mera diferença entre o valor de compra e o valor atual. Não há ajustes por dividendos, portanto alguns prejuízos na prática são menores do que o informado e em alguns casos nem prejuízo existe.

Além das ações, a carteira PB tem 3 contratos mini-dólar que são mensalmente rolados. Em termos práticos, isso equivale a ter um aplicação em dólar no valor de R$ 70.000,00. Lembrando que o rendimento da primeira tabela inclui o resultado combinado desse dois ativos.

Esse mês foi recorde de proventos. Recebi R$ 1.746,00. Isso dá um rendimento de 1% na carteira. Recebi proventos de prbc4, eter3, whrl4, goau3, prvi3, kelp3, vivt3, csna3, bema3 e bbas3. Destaque para whrl4 que pagou 8% do seu valor em dividendos e me rendeu R$ 617.

No lado pessoal, o mês foi muito bom. Voltei a malhar forte, depois de 6 meses parado por causa de uma pequena cirurgia que fiz. Comecei a estudar uma quarta língua, e é incrível que quanto mais se estuda línguas mais fácil fica para aprender a próxima. Também, passei a jogar poker e já ganhei um pequeno torneio.

Sucesso a todos!

domingo, 3 de novembro de 2013

Rentabilidade - Outubro de 2013

O rendimento da carteira PB foi de 3,46% contra uma alta do Ibovespa de 3,66%, o que me deu uma desvantagem de 0,20%, longe da minha meta. O rendimento no ano é de -5,36%. O rendimento acumulado aumentou para 9,73%.

Veja o quadro abaixo para mais detalhes:


Na prática fiquei R$ 5.500,00 mais rico. O rendimento acumulado, porém, ainda está abaixo da meta pelo segundo mês consecutivo. 


Não aportei nada, conforme planejado, e em novembro volta o aporte padrão. Nesse mês não comprei nem vendi nada. Fazia alguns meses que não publicava a carteira, então segue ela. Recebi R$ 375,00 de proventos vindos de criv4, dayc4 e pine4.

sábado, 5 de outubro de 2013

Rentabilidade - Setembro de 2013

O rendimento da carteira PB foi de -0,56% contra uma alta do Ibovespa de 4,66%, o que me deu uma desvantagem de 4,99%, longe da minha meta. O rendimento no ano é de -8,52%. O rendimento acumulado despencou para 6,06%. Veja o quadro abaixo para mais detalhes:


Na prática fiquei R$ 900,00 mais pobre. Neste mês recomprei as posições vendidas no mini-índices, desfazendo o hedge. Dois foram os motivos para essa decisão. O primeiro já explanei no post passado, que se trata da diferença que podem ocorrem no mês entre o rendimento do Ibovespa e do indice Small, provocando grande oscilação. O segundo é taxa atual cobrada para se operar vendido. O valor do mini-índice não é igual ao valor do índice Ibovespa. Existe uma diferença entre eles que significa uma taxa de juros embutida. Dia a dia, até o vencimento do mini-índice, essa diferença diminui até que no dia do vencimento ambos valem a mesma coisa. 

Atualmente, quem está pagando essa taxa é quem está operando vendido, porque o mini-índice está abaixo do Ibovespa. Eu não sei o histórico de comportamento de longo prazo do mini-índice, mas li comentário de que isso nunca tinha acontecido antes. O normal era que os comprados pagassem essa taxa. Não sei exatamente quando essa mudança ocorreu, do mini-índice passar de valer mais a valer menos, mas me parece que foi em algum momento no primeiro semestre desse ano. 

Quando eu entrei vendido em julho, eu já sabia dessa mudança, portanto que eu estaria pagando uma taxa mensal, mas como eu vi esses comentários de que isso nunca tinha acontecido, pensei que rapidamente voltaria ao "normal". No entanto, até agora isso não ocorreu e pelo visto o novo normal é pagar a taxa quem está vendido.

Além disso, de estar pagando esta taxa, quando poderia estar recebendo-a, o nível da taxa está muito alto. Tenho observado nos dois últimos meses, taxas de 1,3% a 1,5% ao mês. Para mim que pretendia operar vendido permanentemente, isso se torna proibitivo, pois são cerca de 16% a 20% ao ano de taxa. Haja queda na bolsa para justificar pagar uma taxa dessa para proteger o capital. Como disso, eu esperava uma reversão, mas não veio, então tive que sair.

Só para comparar, os 3 contratos comprados do mini-dólar que eu tenho, estão cobrando 0,5% ao mês. Ou seja, uma taxa bem menor e alinhada com a Selic. E é cobrada do comprado, que é o que ocorria antes no mini-índice.

Tenho as minhas teorias para tentar explicar essa mudança de comportamento do mini-índice, mas não dá para inserir aqui no resultado do mês. Mas gostaria de ouvir opiniões.

Em suma, para quem acredita que a bolsa vai subir o momento está bom, pois ao comprar o mini-índice, além de seguir a bolsa vai ganhar de lambuja pelo menos 16% ao ano a mais.

Não aportei nada, conforme planejado, nem o farei em outubro, volto apenas em novembro. Os papeis da carteira são os mesmos do post de junho. Vendi um lote de kepl3 por conta dessa alta. Não comprei nada também. Recebi só R$ 80,00 de proventos vindos de bbas3.

domingo, 1 de setembro de 2013

Rentabilidade - Agosto de 2013

O rendimento da carteira PB foi de -3,24% contra uma alta do Ibovespa de 3,68%, o que me deu uma desvantagem de 6,67%, longe da minha meta. O rendimento no ano é de -8,01%. O rendimento acumulado despencou para 6,65%. Veja o quadro abaixo para mais detalhes:


Na prática fiquei R$ 5.200,00 mais pobre. No meio de agosto rolei apenas 4 contratos do mini-índice, reduzindo de 8 para 4 contratos. Estou também comprado em 3 contratos mini-dólar que acabei de rolar no final do mês.

O resultado ruim deve ser depositado às ações. Elas não reagiram da mesma forma que o Ibov. Ficaram anestesiadas, não gerando ganho algum para neutralizar a perda com os 8 contratos no começo do mês e depois com 4. O perfil das minhas ações tem um comportamento mais parecido com o do índice small do que do ibovespa e esse mês houve um distanciamento de rendimento entre esses dois índices. O Small rendeu -1,98%, enquanto o Ibov positivo.

Existem dois cenários em que a premissa do hedge falha. Desses dois, um apresenta resultado excelente e o outro péssimo. A premissa é que o rendimento da carteira ande na mesma direção da do Ibov. Se um sobe o outro sobe, e se um cai o outro cai.

A quebra da premissa é quando eles andam em direções opostas. Se o Ibov cai e a minha carteira de ações sobe, então o resultado é excelente, pois o ganho é duplo.

No caso desse mês ocorreu de o Ibov subir e a carteira de ações cair, o que levou a um péssimo resultado, pois a perda é dupla.

Essas duas situações anteriores não são desejadas, pois resultam em volatilidade na carteira, que é contrário ao objetivo quando se faz o hedge. Se for para ter volatilidade, eu ficaria de peito nu só com as ações mesmo. 

O rendimento só não foi pior, porque os contratos em dólar renderam 3%

Este mês aportei R$ 10.000,00. Aumentei posição em euca4, dayc4, temp3, tris4 e entrei em csna3 e goau3. Reduzi em kelp4 e eliminei autm3.


Nesse mês recebi R$ 532,00 de proventos de eter3, prbc4, bema3, tris3 e bbas3. Metade veio dessa última.

O resultado não é para se desesperar, pois é apenas o azar da ocorrência de uma exceção, pois no geral Ibov e Small estão do mesmo lado. Se tivesse ocorrido a falha do hedge, mas no cenário em que o resultado é excelente, eu não estaria satisfeito também, pois isso implicaria a possibilidade do cenário negativo, que foi justamente o que ocorreu. Não quero jogar com a carteira. Ganhos baseadas na aleatoriedade não são reais.

Com relação aos resultados dos balaços do 2T, a minha avaliação consolidada deles, pelo menos dos papeis que integram o Ibov, é que apresentaram resultado pior que o 2T de 2012. Essa alta do dólar irá dar uma sacudida nos balanços do 3T. Algumas empresas se beneficiarão, outras amargarão.

Outro parâmetro que eu aguardava era o resultado do PIB. Veio acima das expectativas. Se anualizado daria 6,1%. Mas as projeções do mercado pelo boletim focus são de 2,2% e do governo de 2,5%. Então para a conta fechar prevê-se até PIB negativo até o final do ano, provavelmente o 3T. Eu não me empolguei com esse PIB, nem o mercado bursátil, a bolsa fechou com alta de apenas 0,17%.

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Especulando um pouco

Quem acompanha o meu blog sabe que a forma que seleciono as empresas não leva em consideração análise subjetiva alguma. Não leio balanços, fatos relevantes, nem notícias para decidir onde investir. Não que eu não acabe não lendo. Até leio por curiosidade, mas não uso essas informações para decidir o investimento.

Se por uma lado essa forma passiva de investir me livra um bom tempo para outras coisas, por outro torna o investimento um tanto entediante. Não tem aquela emoção de depois de uma análise bem feita, escolher o papel para sua carteira e ficar na expectativa que papel responda ao que você supôs.

Então, esse mês resolvi por em prática algo que já queria fazer a algum tempo para dar uma animada. Mexer com opções de ações. A ideia é comprar pozinho de opções e ficar na torcida. Pozinho é o nome que se dá para opções cujo preço seja 1 centavo. O risco de perder é apenas do investimento feito. O risco de ganhar pode ser duas, três, quatro ou dezenas de vezes o valor investido. Pode parecer bom demais, mas a probabilidade maior é que o investimento se perca todo na maioria das vezes. Em algumas poucas ou raras vezes, você ganharia alguma coisa. Isso seria com uma loteria. Você muito provavelmente vai perder o dinheiro do bilhete, mas se ganhar ganha um bom dinheiro.

Como eu não bebo, fumo, aposto em loteria, nem frequento GPs, me dei ao luxo de uma fezinha vez por outra. É pouca coisa, nada que vá me deixar pobre, nem me deixar rico se ganhar.

Para começar isso, escolhi a opção da OGX. Essa história toda de que a participação da OGX vai aumentar no índice Bovespa e que implicaria na compra obrigatória pelos fundos ETF que seguem o Ibov, combinado com alto percentual de ações alugadas, vinha me chamando a atenção. Esse cenário era perfeito demais para um SS - short squeeze. Segundo a Investopedia, SS é uma situação em que a falta de oferta ou o excesso de demanda por um papel, força o preço do papel para cima. Durante o SS, investidores vendidos são forçados a comprar papeis para sair de sua posição enquanto os preços estão subindo. Isso é mais comuns com papeis com baixa liquidez.

Mas nada impede sua ocorrência em papeis mais líquidos. Abaixo o famoso SS que ocorreu em outubro de 2008 no papel da Volkswagen na bolsa da Alemanha.


Teve até um bilionário que estava vendidaço no papel que se matou por isso.

Voltando à OGX, eu aproveitei esse cenário pintado do SS para me debutar nas opções. Eu nunca tinha operado opção antes, mas já entendia a lógica por trás e só me faltava por em prática mesmo. Então procurei um série das opções da OGX que pudesse capturar o ganho que o SS provocaria.

Os requisitos seriam: valor bem baixo da opção, se for 1 centavo melhor, para poder comprar a maior quantidade de opções; liquidez suficiente para entrar e sair, pois não vou querer exercer, vou apenas desfazer a operação vendendo a opção depois dela subir (caso isso ocorra); um valor de exercício factível, ou seja, que o SS tenha força suficiente para levar o preço do papel acima, quanto mais acima melhor, do valor de exercício; e uma série com vencimento próximo para que os lançadores da opção (no caso quem me vendeu a opção) se sentissem premidos a desfazer a operação comprando a opção e forçando o seu preço para cima.

Bem, dentro desses requisitos encontrei a OGXPI1. Essa opção tem vencimento em 14 de setembro com preço de exercício em 1 real. Pode não ter sido a melhor escolha e aguardo críticas e sugestões, pois não tenho experiência nisso.

Então, dia 20 desse mês comprei 10.000 OGXPI1 a 2 centavos cada. Total gasto R$ 200,00. Não tinha mais a 1 centavo, talvez uma semana antes desse. E comecei a monitorar, cada vez OGXP3 subia, eu dava uma olhada nas opções. Na sexta passada fechou a 4 centavos. Já era um ganho de 100%. Hoje, vendi metade da posição por 4 centavos, portanto recuperei os R$ 200,00 iniciais. Chegou a bater em 7 centavos, mas com o recuo da OGX fechou em 4 centavos.

O restante das 5.000 opções devo vender na próxima sexta, último pregão antes do novo Ibov, ou na quinta mesmo. Vamos ver no que vai dar, na pior das hipóteses eu só perdi as corretagens.

Algumas considerações

Eu só comprei OGX por causa do cenário de SS que se mostra. Jamais compraria OGX como investimento. Acredito desde muito tempo que o seu fim é a falência. E isso se torna cada vez mais claro com as manobras que o Eike vem fazendo. A OGX foi escolhida para o sacrifício para tentar se salvar as outras Xs.

Eu mesmo tenho dúvidas do SS. Razão pela qual resolvi vender metade da posição hoje. Várias coisas podem acontecer para prevenir ou evitar o SS. Exemplo: aumento do nível de alugueis permitidos, mudança do método do cálculo do Ibov, venda direta dos papeis pelo Eike aos ETF e por fim a própria necessidade dos ETF comprarem a quantidade de papeis que vêem alardeando os analistas. Nas minhas pesquisas a quantidade de papeis que precisariam comprar seria bem pequena, sendo insuficiente para um SS.

Mas pelo visto, dado o aumento da OGX nas duas últimas semanas, muita gente está acreditando no SS e comprando para vender para os ETFs. Isso vai ser igual ver cometa, ou será uma frustração danada ou vai ser memorável. Eu escolhi apontar minha luneta.

sábado, 3 de agosto de 2013

Rentabilidade - Julho de 2013


O rendimento da carteira PB foi de -3,06% contra uma alta do Ibovespa de 1,64%, o que me deu uma desvantagem de 4,62%, longe da minha meta. O rendimento no ano é de -4,93%. O rendimento acumulado despencou para 10,22%. Veja o quadro abaixo para mais detalhes:




Na prática fiquei R$ 5.500,00 mais pobre. Como tinha dito no post passado, efetuei um hedge vendendo 8 contratos do mini-índice. Além disso, comprei 3 contratos mini-dólar. Esse hedge funcionou bem, bem até demais. Toda essa alta da bolsa a partir do dia 10 foi neutralizada na minha carteira. A perda de -3,06% no mês foi provocada no começo do mês quando não tinha o hedge ainda, aberto dia 8. A partir do hedge as variações foram bem pequenas. 

Os contratos do mini-dólar já rolei eles. Os contratos do mini-índice vou levar até o vencimento dia 15. Até lá já vai ter saído todos os balanços e eu vou poder avaliar se mantenho, reduzo ou elimino o hedge.

Este mês aportei R$ 10.000,00, mas não comprei nada. O dinheiro ficou parado na conta para servir de ajustes dos mini-contratos. Também não vendi nada.

Nesse mês recebi R$ 234,00 de proventos de pine4, dayc4, e autm3.

Sucesso a todos!

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Protegendo a carteira na crise

Tendo em vista a volatilidade e as incertezas no mercado de renda variável, resolvi esse mês tomar medidas de proteção à carteira PB. Esse mês me cadastrei na BMF para operar derivativos, em especial mini-índice, WIN. Essa era uma estratégia que eu já pretendia fazer há vários meses, mas que vinha adiando por desídia. Ah, se arrependimento matasse!!!


Pois bem, vendi 8 contratos WINQ13 pelo preço médio de 45.625 pontos, que pretendo carregar até a liquidação. Para quem não conhece essa operação segue uma explicação simplificada: cada contrato do mini-índice vale em reais 1/5 do valor do índice Bovespa. Por exemplo, se você comprar um contrato por 45.000 pontos, você estará comprando o direito de R$ 9.000 que variarão conforme a variação do índice. Nesse caso, como você comprou, ganhará dinheiro se o Ibovespa subir. No meu caso eu vendi, então eu só ganho se o índice cair.

Como o mini-índice é um derivativo, você não precisa gastar R$ 9.000 se quiser comprar um contrato, nem receberá R$ 9.000 se quiser vender um contrato. Você recebe ou paga apenas a diferença entre o valor do seu contrato e o fechamento do índice. E todo dia tem esse ajuste no seu saldo na corretora. Para operar um contrato, você precisa hoje de ativos no valor de R$ 1.900 (esse valor altera todo dia conforme o índice sobe ou desce). Desses R$ 1.900, é bom que pelo menos R$ 1.000 sejam em dinheiro para os ajustes diários.

Ao vender esses contratos, o valor da minha carteira fica parcialmente travado. Isso ocorre porque se o Ibovespa cai, eu vou ganhar dinheiro com os contratos vendidos no WIN, mas ao mesmo tempo é bem provável que as ações da minha carteira também estejam perdendo valor. Se o Ibovespa sobe, eu perco dinheiro com os contratos vendidos do WIN, mas ganho pela valorização provável das ações. Essa operação não trava o valor da carteira perfeitamente, apenas vai amortecer as oscilações, tanto para cima quanto para baixo.

A quantidade de contratos vendidos é calculada de forma a dar a melhor proteção da carteira. Como cada contrato protege R$ 9.000, com 8, eu protejo R$ 72.000. A minha carteira tem hoje R$ 142.000 em ações, mas eu preciso vender apenas metade disso em WIN para obter a proteção completa, porque o Beta estimado da carteira é 0,5. Os motivos de como isso funciona e como calcular o Beta de sua carteira, leia no blog do amigo Treidar Pra Que.

Vão perguntar, mas se você acha que vai cair, porque não vende os papéis?

Primeiro, pela quantidade de papeis que tenho, eu gastaria mais corretagem do que vendendo os WIN. Segundo, como meus papeis tem baixa liquidez por serem small caps em sua maioria, eu perderia com o spread da cotação na venda. Terceiro, e mais importante, a carteira PB de ações tem demonstrado rendimento médio superior ao Ibovespa, tanto na queda quanto na alta do índice, portanto se isso se mantiver, a carteira PB agora combinada com os WIN vai ter rendimento positivo sempre, seja na queda quanto na subida do Ibovespa. Vai ser como uma renda fixa rendendo a diferença entre os rendimentos dos papeis e do Ibovespa. Aposta a conferir!  

Outra decisão que tomei foi a compra de 3 contratos de mini-dólar  por R$ 2.270,00. Esse contrato é outro derivativo que opera nos mesmos moldes do mini-índice. Cada contrato do mini-dólar, WDO, equivale a 10.000 dólares, portanto R$ 22.700,00. Então estou comprado em 30.000 dólares. A alta no dólar é uma aposta que já venho fazendo há muito tempo. Eu já tinha uma aplicação em um fundo em dólar, mas devido a alta taxa de administração, agora desfiz, apliquei em renda fixa o saldo e vou continuar apostando na  alta do dólar usando o WDO.

Pretendo rolar esses contratos a medida que forem vencendo, mas não sei até quando, dependerá do mercado. Essas medidas alterarão o cálculo do rendimento da carteira PB, pois até o mês passado, o rendimento da carteira PB se consistia apenas nas variações dos papeis, mas agora vai englobar os papeis e os contratos de mínis.

Esse incremento na estratégia da carteira PB fará que ela deixe de ser como um fundo de ações, mas passe a ser o equivalente a um fundo multimercado, ou em bom inglês um hedge fund.

sábado, 29 de junho de 2013

Rentabilidade - Junho de 2013

É bonito ver essa queda toda. E falo sério! O medo, o desespero, as previsões apocalípticas e o princípio de pânico retratados na imprensa, fóruns e blogs, geram um sentimento diferente quando se está comprado na bolsa em relação a ser apenas um observador externo. Em 2008, eu não estava na bolsa, então não sabia como era a sensação. Alguns vão dizer que agora não se compara a 2008, mas discordo.

Eu mantenho um planilha com um cálculo do Ibovespa ajustado e ela aponta, em um dos cenários, que hoje já estamos mais barato que o fundo de 2008. Em 2008, a queda foi grande, mas como seu início partiu de um ponto muito esticado em relação a uma linha base, a maior parte da queda se deu por excesso de crescimento. O delta da queda de agora pode até ser menor, mas como ela partiu de um nível bem inferior ao pico de 2008, o resultado é uma depressão expressiva na bolsa.

O momento é um oportunidade ímpar para entrar na bolsa. Não que não vai cair mais, pois até acho que isso vai acontecer, como já tinha dito aqui e aqui, mas não dá para ficar inerte tentando acertar o fundo. Vou fazer um post detalhando como calculei isso para ficar mais claro.

O rendimento da carteira PB foi de -7,55% contra uma queda do Ibovespa de 11,31%, o que me deu uma vantagem de 4,23%, superando com folga a minha meta. O rendimento no ano é de -1,93%, zerando os ganhos do ano. O rendimento acumulado despencou para 13,70%. Veja o quadro abaixo para mais detalhes:



Na prática fiquei R$ 11.300,00 mais pobre. A estratégia de todo mês ganhar do Ibovespa por uma margem mínima mostrou seu valor nessa queda. Desde o começo da carteira, as compras mensais foram realizadas com Ibovespa na faixa de 55 a 60 mil. Porém, precisou o Ibovespa cair para os 48 mil pontos para que a carteira voltasse a ter o valor exatamente igual a grana que aportei.

Isso ocorreu, porque a carteira PB ganhou do Ibovespa em 11 dos 13 meses da carteira, então criou-se uma capa de gordura que foi sendo consumida ao longo dos últimos 3 meses de queda.

Outra forma de ver isso, é como se eu tivesse hoje, com Ibovespa bem barato, entrando na bolsa agora com toda a grana que aportei e comprando as ações que tenho hoje pelo preço de agora. Ou seja, comprando por preços baratos. 

Entretanto, a capa de gordura acabou, então se continuar caindo, vou pela primeira vez operar com menos grana do que investi.

Este mês não iria aportar nada, pois o aporte de junho já tinha antecipado em maio, mas não resisti e no final do mês aportei R$ 10.000,00. Com essa grana reforcei posição em pine4, cgra4, unip6, cple3 e euca4. Não vendi nada.

A carteira atual ficou assim:



Nesse mês, recebi R$ 402,00 de proventos de 3 empresas.

Sucesso a todos!

sábado, 8 de junho de 2013

Balanço de aniversário da carteira PB

A carteira PB completou 1 ano de aniversário no final de maio e quem já era meu leitor pôde acompanhar mensalmente os resultados obtidos. Agora vou apresentar o resultado consolidado desse período.

Foram doze meses aportando em renda variável, especificamente só em ações. Durante esse período, todas as compras e vendas foram baseadas na mesma estratégia de seleção dos papeis. A estratégia que usei foi retirada do livro "What Works on Wall Street" de James O’Shaughnessy (http://www.whatworksonwallstreet.com).

Esse livro compila dezenas de estratégias de investimentos baseadas em múltiplos fundamentalistas. Cada estratégia é testada com dados passados de várias décadas e os resultados obtidos apresentados detalhadamente.

Se quiser ter uma ideia melhor de como foram testadas algumas dessas estratégias, leia os seguintes posts: Investir com base no Preço/Lucro é eficaz?Investir com base no P/VP é eficaz? e Investir com base no DY é eficaz?. No caso da carteira PB, a estratégia utilizada é baseada em uma das que obteve o maior rendimento apresentado no livro.

Em doze meses a carteira PB rendeu 23% líquido de todos os custos de operação, tais como custódia, corretagens e emolumentos. Isso significa que R$ 100,00 investidos no primeiro dia teriam virado R$ 123,00, caso não se tivesse aportado nem sacado nenhuma outra quantia. No mesmo período, o investimento de R$ 100,00 no índice Bovespa teria virado R$ 98,20. Considero esse resultado excelente, muito além da minha expectativa.

Conforme eu já tinha discorrido no post Batendo o Ibovespa, a meta que adotei para a carteira PB é obter rendimento igual ou superior ao do índice Bovespa acrescido de 10% ao ano. Ou seja, uso o Ibovespa como benchmark da carteira, mas não me satisfaço apenas em ser maior do que ele, a carteira tem que conseguir pelo menos 10% a mais. Mais sobre benchmarks para carteiras leia no post Benchmark correto para sua carteira.

Então, como o resultado foi 25,2% maior que o Ibovespa, a meta foi superada com folga. O gráfico abaixo ilustra o rendimento da carteira PB nos últimos doze meses. A linha Meta nada mais é que o Ibovespa acrescido de 0,8% ao mês, que totalizam os 10% a mais em um ano. O objetivo é ficar acima da linha verde e não apenas da vermelha.

Tendo em vista que o índice SMLL vem performando melhor que o Ibovespa, então informalmente estou mantendo uma comparação com ele também. Isso porque como existe ETF que replica o SMLL, caso eu fique acima da meta, mas sistematicamente abaixo do SMLL, então devo avaliar se não compensaria migrar para o ETF. 


Pelo gráfico nota-se que apenas em dezembro a carteira PB esteve abaixo da meta, mas logo se recuperando e imprimindo boa vantagem. Já o índice SMLL deu calor nos primeiros sete meses, mas a partir de janeiro pediu água. Dos doze meses, a carteira PB rendeu mais que o Ibovespa em 10 e menos em 2 meses.

O rendimento de 23% é tão bom, que caso fosse possível repeti-lo todo ano, mesmo sem aportar mais nada ao montante já aplicado, eu me tornaria bilionário em 42 anos.

Com relação ao crescimento patrimonial, ele não cresceu 23% como se poderia crer, porque o montante não foi todo aportado no início, mas gradualmente ao longo dos meses. Assim, foi aportado no total R$ 140.000,00, que se tornou R$ 150.763,00, um acréscimo de 7,7%. Caso tivesse aportado R$ 140.000,00 todo no começo, aí sim teria obtido uma ganho de 23% e hoje teria R$ 172.000,00.

Recebi no total R$ 2.200,00 de proventos, nos quais incluem os dividendos, os juros sobre capitais e direitos de subscrições. Mais da metade desses proventos recebi em um único mês, maio passado. O valor desses proventos já está incluso no rendimento apresentado.

Para visualizar melhor o rendimento da carteira PB, fui em busca de uma comparação com o rendimento dos fundos de ações disponíveis no mercado. Os Fundos de Investimentos em Ações - FIA - são aqueles com pelo menos 67% aplicado em ações, conforme classificação da Comissão de Valores Mobiliários, ao que a carteira PB se enquadraria, já que tem 100% aplicado em ações. No site Infomoney é possível obter um ranking de rendimento desses fundos.

Peguei o ranking dos FIA exatamente no período de 31/05/12 a 31/05/13. O ranking tem 421 fundos listados. O maior rendimento foi de 60% do fundo Banrisul Ações FI e o pior do Itaú Pers Ações Multi Setorial com -22%. A média de rendimento foi 11%, exatamente igual a mediana, o que revela uma distribuição normal, aquela em forma de sino. O desvio padrão foi de 11,4%. 

O gráfico abaixo é a distribuição dos 421 fundos e seus rendimentos.



Com 23% de rendimento a carteira PB ficou em 61º lugar no ranking, indicado pela seta 1 do gráfico. Essa posição é 1 desvio padrão acima da média.

Agora vem a vantagem de se operar uma carteira própria: todos esses fundos apresentam seus rendimentos pré imposto de renda, o que significa que seus investidores ainda terão que pagar 15% de IR, diminuindo o rendimento divulgado.

Já com carteira própria, posso vender até R$ 20.000,00 por mês sem precisar pagar IR, mesmo auferindo lucro. Na prática, então, um fundo para que renda 23% de forma líquida para o investidor precisa render 27% (27 x 0,85= 23). Dessa forma, o rendimento da carteira PB equivale a de um fundo que rendeu 27%, indicado pela seta 2. Essa subida leva a carteira PB para a posição 33ª do ranking. 

Essa vantagem da venda até os R$ 20.000,00 diminuirá com o tempo, pois à medida que a carteira crescer não será possível acomodar as vendas dentro desse limite.

Concluindo, o resultado bem acima da meta é animador e encoraja o prosseguimento dos aportes e a manutenção da estratégia adotada.

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Rentabilidade - Maio de 2013

Voltando agora de viagem do feriado e como eu só tinha a internet no celular não dava para postar o rendimento antes.

Esse mês mais algumas dados decepcionaram na economia. Já são vários os indicadores que levam a um pessimismo para justificar onde o Ibovespa está. Inflação alta, juros subindo, dólar subindo, PIB subindo menos que o esperado, balança comercial negativa, transação corrente para lá de negativa e superávit primário caindo, esse mesmo com a manipulação das contas do governo. O único dado econômico importante que ainda resiste heroicamente é a taxa de desemprego baixa.

E é o emprego em alta que ainda segura o que sobrou da economia. Mais do que a renda auferida pelos trabalhadores empregados, a mola mestra da economia é o crédito para consumo, disponível justamente a quem tem renda formal. Se o desemprego seguir o caminho dos demais indicadores, além da perda da renda dessas famílias, a concessão de crédito vai diminuir, resultando na redução do consumo alavancados pelo crédito. 

Para piorar, esse cenário ruim ocorre num momento em que as bolsas lá foram estão em topos históricos, portanto com muita gordura para queimar em caso de algum país cair em crise e contaminar o resto do mundo. E não tem dessa de que aqui seria poupado só por que já está bem baixo. Pelo contrário, com os americanos sendo responsáveis por dois terços do giro da bolsa, se eles precisarem se recolher para protegerem seus capitais, aqui vai descer fundo.

Para ilustrar o que estou falando, na segunda passada, dia 27, foi feriado Memorial Day nos EUA, nesse dia aqui girou apenas R$ 2,5 bi, contra os R$ 7 a 8 bi de costume (a título de curiosidade só a Apple gira R$ 12 bi por dia na Nasdaq). Em resumo, a bolsa não tem capital nacional capaz de absorver a venda maciça dos americanos, caso seja preciso, sem que seja necessário grandes quedas do índice.

Então, se ocorrer uma evento externo ruim combinado com uma taxa de desemprego crescente aqui, pode-se apertar os cintos, por as poltronas na vertical e se preparar para uma pouso forçado que o Ibov nos 40k é logo ali. Mas chega de agourar, esse post é do balanço do mês.

O rendimento da carteira PB foi de -1,56% contra uma queda do Ibovespa de 4,30%, o que me deu uma vantagem de 2,86%, superando com folga a minha meta.  O rendimento no ano é de 6,08% e o acumulado geral 22,99%. Veja o quadro abaixo para mais detalhes.


Na prática fiquei R$ 2.120,00 mais pobre. Este mês aportei R$ 30.000,00, relativos a cota de abril, maio e junho. Com o fim da temporada de balanço, o meu sistema de compra e venda indicou o remanejamento que precisava ainda fazer. Vendi embr3, hbor3, csmg3 e dirr3. Comprei temp3, cple3, cmig3 e mndl3. E aumentei posição em 11 papeis que já tinha para manter a proporção próxima de 4% para cada.

A carteira atual ficou assim:


Nesse mês, os proventos foram recorde. Recebi R$ 1.247,00 de proventos de 14 empresas.

Sucesso a todos!

sábado, 11 de maio de 2013

Bonificação de HBOR3

Em abril, recebi bonificação de hbor3. Foi a primeira vez que recebi isso. A bonificação consistia em receber 30% a mais de papeis de graça. No meu caso, que tinha 400 papeis, recebi mais 120.



A bonificação é diferente do desdobramento ou grupamento (split/inplit). Esses dois últimos são meros ajustes numéricos no preço do papel e na quantidade possuída com o objetivo de colocar o preço do lote padrão num patamar atrativo. O tanto que um deles aumenta ou diminui é compensado na mesma proporção pelo outro, de forma que produto entre ambos permaneça constante. O preço médio fica também alterado na mesma proporção.

Já a bonificação trata-se de uma operação contábil. A empresa incorpora parte da reserva de lucros para aumentar o seu capital social. Isso em si não gera valor algum ao acionista, pois se trata apenas de reduzir o valor na rubrica de reserva de lucro e aumentar a de capital integralizado, de modo que o patrimônio líquido continua o mesmo. Em suma, tinha um dinheiro na conta com um certo nome que passou a ter outro, mas a quantia não mudou.

Mas veja o que ocorreu na prática no caso da hbor3. Eu tinha 400 papeis a um preço médio de R$ 11,57. Recebi 120 papeis de graça, mas para efeitos fiscais custaram R$ 5,04 cada, conforme a Helbor declarou. Pela cotação do dia 30/04, o papel fechou em R$ 9,94, o que equivale a R$ 12,92 (9,94 x 1,3) antes do ajuste da bonificação e como o meu PM era R$ 11,57, então eu tinha 11,6% de ganho.

Ou seja, antes da bonificação eu estava no lucro. A bonificação faz os mesmos ajustes no preço e na quantidade da mesma forma que o desdobramento, então, também, não tem o poder de alterar os ganhos e as perdas. Ou seja, após a bonificação eu ainda continuo no lucro. Antes eu tinha 400 papeis a R$ 12,92 (preço de véspera de bonificação), que dava R$ 5.168,00, e passei a ter 520 papeis a R$ 9,94 que dá R$ 5.168,00. Tudo igual como se fosse um desdobramento.

Agora vem a diferença da bonificação para o desdobramento. Se a ação tivesse apenas se desdobrado, eu teria 520 papeis a um preço médio de R$ 8,90 (11,57/1,3), o que me daria o mesmo rendimento de 11,6% ao preço pós bonificação de R$ 9,94 e me colocando no lucro. No entanto, como esses 30% vieram com um preço declarado de R$ 5,04, o meu preço médio terminou em R$ 10,06. Portanto, ao preço de mercado de R$ 9,94 eu passei a ter prejuízo, pois o meu PM é maior que preço do papel. Mas esse prejuízo é apenas contábil, financeiramente o meu ganho ainda existe.


Isso ocorre, porque apesar de você receber de graça a ação da bonificação, ela chega com um preço como se você tivesse pago por ela. No caso, o preço de R$ 5,04 por papel. Esse preço é calculado pela empresa em função da reserva de lucro incorporada. No caso da hbor3, ela incorporou 300 milhões de reais e criou cerca de mais 60 milhões de ações.

O novo preço médio do acionista é calculado conforme dispõe o art. 47 da Instrução Normativa 1.022/2010 da Receita Federal:
§ 1 º   No caso de ações recebidas em bonificação, em virtude de incorporação ao capital social da pessoa jurídica de lucros ou reservas, considera-se custo de aquisição da participação o valor do lucro ou reserva capitalizado que corresponder ao acionista ou sócio, independentemente da forma de tributação adotada pela empresa. 
Fazendo esse cálculo o meu preço médio não caiu 30% para compensar o ganho de 30% de ações novas, como ocorre no desdobramento, mas caiu apenas 13%, o que fez eu sair do lucro para o prejuízo contábil.

Curiosamente, e lamentavelmente, a minha corretora ainda mostra meu preço médio como sendo R$ 11,57. Ou seja, ela entendeu que os 120 papeis novos chegaram pelo mesmo preço dos antigos. Se eu não soubesse desse erro, a corretora poderia me levar a sonegar imposto. Pois caso o preço do papel suba para R$ 11,50 e eu os vendesse, pela corretora eu não teria de pagar imposto, mas como na verdade meu preço médio é R$ 10,06 eu teria que pagar alguma coisa.