Relembrando o meu segundo post, para produzir um bilhão de reais vou precisar de três ingredientes: aporte inicial de R$ 500.000,00, aportes mensais de R$ 5.000,00 e rentabilidade acumulada de 27,1% ao ano. O primeiro já tenho. O segundo espero tê-lo ao longo dos 30 anos. Fácil, né? De jeito nenhum. O terceiro ingrediente é o mais difícil de todos, 27% ao ano é muita coisa, pior ainda quando se precisa de 30 anos seguidos com essa rentabilidade.
A forma que decidi tentar conseguir essa rentabilidade é na bolsa de valores. Nada de negocio próprio, imóveis, gado, nada real que gere PIB, isso dá trabalho demais. Mas só bolsa de valores é meio vago né, pois sabemos que a bolsa oferece várias possibilidades de investimentos. Buy&hold, short selling, derivativos, futuros, trades, micos, um combinando com o outro gera muitas formas de se operar.
Eu optei pelo arroz com feijão, ou seja, comprar ações de empresas boas e baratas, que paguem bons dividendos, e reinvesti-los. Eventualmente alugar algumas. Simples assim. Uma receita para lá de batida.
A questão que não me sai da cabeça é como conseguir os 27% ao ano.
Verificando quanto deu a rentabilidade do ibovespa do final de dezembro de 1994 ao final de maio de 2012, temos que o índice partiu de 4.353,92 e atingiu 54.490,41 pontos. Isso dá um retorno acumulado nesses 17 anos e 5 meses de 1.151%. Ou 15,6% ao ano ou 1,16% ao mês.
Esse ganho é apenas nominal, não considera a inflação do período, mas como já disse nos posts passados, não estarei considerando a inflação desde que ela permaneça nos níveis presentes. Por este motivo não ampliei o cálculo da rentabilidade do ibovespa para antes de 1994 devido a hiper inflação à época, o que gerava um ganho nominal alto do ibovespa, mas que não era real, mas apenas compensação da inflação. Se quisesse usar períodos dessa época teria que descontar a inflação, mas como não confio nos índices da inflação daquela época, vou ficar apenas com o histórico de 17 anos e 5 meses.
Fiz esse cálculo apenas para mostrar que se eu tivesse investido em um ETF que replicasse o ibovespa, a minha meta não seria cumprida. Na verdade, assumindo essa rentabilidade do ibovespa para o futuro, eu levaria 50 anos a partir do mesmo aporte inicial e mensal. Por esse motivo os ETF estão fora de cogitação, pois ainda que tenham outros que não sigam o ibovespa, como não tem um histórico longos deles, não tem como eu assumir uma rentabilidade média.
Como o meu investimento se baseará em uma carteira de ações e isso é renda variável, eu não tenho como garantir que anualmente conseguirei os 27%, pois esse valor seria na média, mas na prática uns anos vão dar mais, outros menos e alguns até negativo. Então para se saber se a minha carteira está perfomando bem a cada momento, nada mais natural que o benchmark para aferir isso seja o próprio ibovespa.
Sabendo que eu preciso de 27,1% ao ano e o ibovespa me dá 15,6%, então eu preciso conseguir um rentabilidade anual de 9,95% superior ao ibovespa (1,271/1,156=1,0995), ou 0,8% capitalizado ao mês.
Assim, mês a mês poderei comparar a rentabilidade da minha carteira perante o ibovespa e ver se estou conseguindo 0,8% de ganho sobre o que o ibovespa deu. Por exemplo: ibov rendeu 5% num mês, a minha carteira tem que ter rendido 5,84% (1,05x1,008=1,0584); ibov rendeu 20% num mês, a minha carteira tem que ter rendido 20,96% (1,2x1,008=1,2096); ibov caiu 10% num mês, a minha carteira tem que ter caído 9,28% (1-0,9x1,008=0,0928).
É claro que nem essa meta mensal é garantida, assim qualquer ganho acima da meta é benvinda para compensar ganhos abaixo da meta em outros meses, ou pior, abaixo do próprio ibovespa.
No próximo post vou discorrer sobre como pretendo montar minha carteira e controlar fidedignamente a sua rentabilidade.