quarta-feira, 3 de abril de 2013

O que é diversificação para o Buffett?

Quando um investidor de longo prazo, de estilo buy and hold, vai justificar o porquê de uma carteira com tão poucos papeis, ele logo cita Warren Buffet para respaldar sua estratégia. E vários outros investidores de longo prazo fariam o mesmo. É verdade que Buffett já condenou a diversificação diversas vezes. Isso é bem conhecido de todos os investidores. Vou citar duas frases atribuídas a ele:

"Wide diversification is only required when investor do not understand what they are doing."

"Grande diversificação é apenas requerida quando o investidor não entende o que está fazendo."

"Diversification is a protection against ignorance. It makes very little sense to those who know what they are doing."

"Diversificação é a proteção contra a ignorância. Ela faz pouco sentido para aqueles que sabem o que estão fazendo"

Mas eu fiquei me perguntando o que exatamente ele consideraria uma diversificação exagerada? Para responder essa pergunta eu comecei uma pesquisa na internet. Eu queria saber dele, Buffett, o que ele pensa sobre o assunto, e não saber de um escritor de livros sobre o Buffett o que ele acha que o Buffett pensa. Minha primeira parada foi neste ótimo documentário de 2009 sobre a vida do Buffett.

Fazendo um parenteses, a frugalidade desse homem é impressionante. Se eu fosse bilionário, tivesse mais de 80 anos e passasse várias horas sentado por dia, eu iria querer a melhor cadeira existente, ou até mandaria projetar uma específica para mim. No entanto, a minha cadeira de trabalho parece ser de melhor qualidade que a dele.

Voltando a diversificação, veja o que o Buffett diz em 11:10:



"If somebody owns 50 stocks, can they really like the one the rank as the number 50 as well as the one they rank as number 1? Can they know them as well? I don't thing so."

"Se alguém tem 50 papeis, será que ele gosta tanto da quinquagésima do ranking, quanto ele gosta da primeira colocada? É possível ele conhecer as duas tão bem? Eu acho que não." 

Então já temos um teto. Cinquenta papeis é demais. E quarenta e nove? Vinte? Dez? Cinco?

Encontrei também esse vídeo de uma palestra em um MBA. Em 1:10 ele responde o seguinte: 

"A pergunta é sobre diversificação e eu tenho duas respostas para isso. Se você não é um investidor profissional, se sua meta não é gerenciar recursos para obter retorno significante melhor que o mundo, então eu acredito em diversificação extrema. Eu acredito que 98, talvez mais de 99% das pessoas deveriam diversificar e não fazer trades. Então sobra para elas os fundos de investimentos em índice, uma decisão de baixo custo. Tudo que eles estão fazendo é sendo dono de parte dos EUA. Eles decidiram que ser dono de parte dos EUA vale a pena. Eu não questiono isso. Agora se eles quiserem por em jogo decisões intensas, começar analisando empresas e decidir por esforço e tempo na decisão, então eu acho que diversificação é um erro terrível. Se você realmente conhece as empresas, você não deveria ter mais do que 6 delas. Se você conseguir identificar 6 excelentes empresas, essa é toda a diversificação que você precisa. Você vai ganhar muito dinheiro. Eu posso garantir que investir mais na sétima empresa do que na primeira é um erro terrível. Poucas pessoas ficam ricas com a sétima melhor opção, mas muitas ficam ricas com a melhor opção. Eu diria que para qualquer pessoa trabalhando com capital normal que realmente conhecem as empresas em que está entrando, 6 é o suficiente. Eu pessoalmente não diversifico e todas as pessoas que conheço que estão indo bem não diversificam."


Essa palestra foi dada em 1998, não sei se ele ainda pensa assim, mas vamos considerar que sim. A primeira observação é que ele acha que quase todo mundo deveria investir passivamente em um fundo de índice. Isso seria a regra geral para os investidores. É simples e barato. Apenas um pequeno grupo, uma exceção a regra geral, deveria gerir sua própria carteira. Esse grupo, no entanto, teria que despender esforço e tempo na análise de empresas para encontrar as eleitas.


Buffet diz que essas pessoas devem realmente conhecer as empresas. Aqui que está o problema. Isso para mim é vago. Até que ponto deve o investidor se aprofundar na empresa para se considerar realmente um conhecedor dela e justificar sua exceção a regra geral? 


Será que precisaria conhecer as instalações fabris in loco? Conhecer o corpo diretor ou até o corpo gerencial? Conhecer a dinâmica no mercado em que a empresa se inscreve? Conhecer também as empresas concorrentes para comparação? Frequentar todas as assembleias ou pelo menos ouvir a teleconferência? Ou bastaria apenas ler os balanços trimestralmente?


Não sei a resposta disso. Mas dá para saber se o investidor é exceção ou deve voltar a regra geral. Quem vai dizer isso é o rendimento de sua carteira. Se depois de um prazo suficiente para gerar um histórico de rendimento, se a carteira estiver rendendo muito pouco acima, igual ou abaixo do que um fundo índice rende, então é melhor resignar-se e investir num fundo índice. Por isso é tão importante calcular e acompanhar o rendimento de sua carteira. No post "Benchmark correto para sua carteira", eu explico como fazer essa comparação.


Mas continuando com o que o Buffett pensa sobre diversificação fui pesquisar o que ele então faz com seus investimentos. Nada melhor para saber o que ele pensa sobre isso do que verificar na prática o que ele faz a respeito da diversificação. A resposta está em suas cartas anuais aos investidores.


Buffett é gestor da empresa holding Berkshire Hathaway Inc, que vale cerca de US$ 250 bilhões no mercado dos quais US$ 50 bilhões são do próprio Buffett. Essa empresa é proprietária de diversas outras, chamadas subsidiárias, que por sua vez podem ser proprietárias de outras. Pela última carta ao investidor compõem a holding as seguintes empresas:


Berkshire Hathaway Reinsurance Group (seguradora)

General Re (seguradora)
GEICO (seguradora)
BNSF (companhia ferroviária)
MidAmerican Energy (distribuidora de energia elétrica e gás natural)
HomeServices ( holding de várias corretoras de imóveis)
Marmon (uma holding de 150 empresas)
McLane Company (distribuidora de alimentos)
Acme Building Brands (fabricante)
Benjamin Moore (fabricante)
Johns Manville (fabricante)
Shaw (fabricante)
MiTek (fabricante)
Fruit of the Loom (roupas)
Forest River (fabricante de veículos de lazer)
IMC Metalworking Companies (ferramentas de cortes de metal)
CTB (fabricante de equipamentos agropecuários)
Nebraska Furniture Mart (varejo de móveis)
R.C. Willey (varejo de móveis)
Star Furniture (varejo de móveis)
Jordan’s (varejo de móveis)
Borsheims, Helzberg and Ben Bridge (3 joalherias)
See’s Candies
Pampered Chef (acessórios de cozinha)
Oriental Trading Company (suprimentos de escolas)
Lubrizol (produtos químicos)
Clayton Homes (construtora de casas)
XTRA (equipamentos de transporte)
CORT (aluguel de móveis)
28 jornais impressos
NetJets (concessionária de aviões)

Parei aqui. Isso é o principal, mas não é tudo. Sempre tem um "outros" ao final das citações das empresas. Veja que tem de tudo, setores regulados e não regulados, varejo, indústria, commodities,  supérfluos,  bem de consumo, bem durável e serviços variados.


Desculpem, mas se isso não é diversificação, o que será então? Ou o que ele prega só vale para os outros?


E ele nessa carta reconhece indiretamente sua diversificação quando cita como vantagem as múltiplas possibilidades de negócios:



"And here we have an advantage: Because we operate in so many areas of the economy, we enjoy a range of choices far wider than that open to most corporations."


"E aqui temos uma vantagem: Como operamos em muitas áreas da economia, temos um leque de opções muito mais amplo do que o aberto para a maioria das empresas."


Ainda não está convencido de que ele está bem diversificado?


Pois isso não é tudo. No geral, a Berkshire ou é proprietária integral ou majoritária dessas empresas citadas, portanto controladora dessas empresas. No entanto, a Berkshire ainda é acionista minoritária (sem controle) das seguintes empresas, com valores que variam de 1 a 15 bilhões de dólares por empresa:


American Express Company
The Coca-Cola Company
ConocoPhillips 
DIRECTV
International Business Machines Corp
Moody’s Corporation
Munich Re 
Phillips
POSCO
The Procter & Gamble Company
Sanofi
Tesco plc
U.S. Bancorp
Wal-Mart Stores, Inc
Wells Fargo & Company

Além é claro de "Outras" que ele não discrimina na carta.


Eu poderia ter parado a pesquisa por aqui. A diversificação dele é patente, mas resolvi pesquisar nas cartas passadas e veja o que encontrei na carta de 2004 que nas palavras dele confirmam a diversificação:

"Between 1964 and 2004, Berkshire morphed from a struggling northern textile business whose intrinsic value was less than book into a diversified enterprise worth far more than book."

"Entre 1964 e 2004, Berkshire se transformou de uma problemática empresa têxtil do norte cujo valor intrínseco era menor do que o contábil em uma empresa diversificada que vale muito mais do que o seu valor contábil."


E ele ainda quer que você compre só 6 papeis. Com certeza uma carteira com 6 papeis tem um potencial de valorização muito maior  (ou muito menor) do que uma com 60, mas isso cobra um preço, uma volatilidade monstro. Haja coração para tanta emoção e obstinação para manter-se na estratégia.


Uma estratégia de investimento pode levar anos para mostrar seus resultados, é mais fácil desistir pelo caminho, mais fácil ainda depois de uma grande queda. Ou você acredita que algum buy and hold olha cotação só uma vez por ano? De hora em hora é mais próximo da realidade. Enquanto isso o portfolio dele é toda intertravado por setores econômicos descorrelacionados.

Conclusão

Se você quiser fazer parte do 1% dono de seu próprio nariz, prepare-se para estudar, ler, dedicar-se. Ainda assim você corre o risco de ver o seu esforço não valer a pena e não obter uma vantagem sobre o mercado. Nesse caso, aceite a realidade e aplique num fundo de índice. Para isso, desde o primeiro dia de investimento, rastreie a rentabilidade de sua carteira de forma precisa. Não se engane. Só ela vai dizer se seu esforço está sendo recompensado ou não.


E mesmo que você só olhe cotação uma vez por ano e saiba tudo de suas empresas e almoce todo dia com os CEOs das suas empresas, lembre-se: eles não têm as rédeas sobre tudo que pode acontecer com elas. Catástrofes naturais, intervenções governamentais, sabotagem, novas tecnologias patenteadas por concorrentes, mudança de comportamento do consumidor, todas estão fora de suas alçadas de controle.


Então, avalie os riscos em que esteja incorrendo pela concentração de ativos. Assim como tem muitos vencedores que apostaram em 6 papeis, deve ter um número maior ainda de perdedores que apostaram em 6 ou menos papeis. Mas esses últimos nunca aparecem, menos ainda ficam famosos.


Você é o único responsável pelo destino de seus investimentos, seja no sucesso quanto no fracasso.

E por último, mas não menos importante, nunca, jamais, never, ever faça All in.


Sucesso a todos nos investimentos,

Primeiro Bilhão

sexta-feira, 29 de março de 2013

Rentabilidade - Março de 2013

Olá a todos os amigos,

Estou vindo prestar contas da carteira PB. Este mês tinha começado muito mal com a carteira perdendo duplamente. Perdia porque entrou no negativo e porque perdia também para o Ibovespa. Assim foi se arrastando até o dia 20, daí em diante foi se recuperando, passou o Ibovespa e no penúltimo dia entrou no positivo. Ufa, que alívio. Então considero que o resultado foi ótimo.

A carteira obteve um rendimento de 0,92% contra queda de 1,87% do Ibovespa, o que me deu uma vantagem de 2,84%, superando com folga a minha meta. Isso em grana significou R$ 1.200,00 a mais. O rendimento acumulado desse ano é de 8,54% e o acumulado geral de 25,83%. Veja o quadro abaixo para os detalhes.


Este mês aportei R$ 30.000,00, porque em janeiro e fevereiro não tinha aportado nada. Novo aporte só em maio.

A carteira teve um grande giro, porque o meu sistema de compra e venda se orienta pelos balanços e como diariamente tinham novos balanços isso ia confirmando ou não os ativos da carteira e dava compra para outro quando necessário.

Foram vendidos: abcb4 (bom lucro), mrve3 (prejuízo pequeno), sapr4 (prejuízo pequeno), eqtl3 (bom lucro), card3 (prejuízo grande) e sbsp3 (bom lucro). 

Novos ativos: vivt3, whrl4, prbc4, embr3, kelp3, coce3 e tris3. Todas entraram já gerando lucro.

Posições aumentadas em: autm3, bema3, cgra4, even3, prvi3, unip6, eter3, hbor3, sled4 e csmg3.

A carteira atual ficou assim:


Recebi R$ 173,00 de proventos vindos de bbas3 e eter3.

Esse mês jurei a mim mesmo nunca mais comprar no fracionário.

Sucesso a todos.

quinta-feira, 21 de março de 2013

Benchmark correto para sua carteira

Depois de você estudar tanto as opções de investimento e montar sua carteira, você vai precisar saber se a sua estratégia de seleção de ativos é eficaz. Eficaz aqui no sentido de que a sua estratégia agrega valor a sua carteira além do que você conseguiria passivamente, ou seja, sem estudar e aplicar estratégia alguma. Para isso então você vai precisar de um benchmark. A origem dessa palavra, benchmark, vem dos levantamentos topográficos nos quais se talhava uma marca em construções ou rochas para indicar um altitude. Essa marca era usada como referência de nível para os demais objetos da redondeza da marca.

Exemplo de benchmark talhado no concreto

Hoje em dia o significado de benchmark se ampliou e pode ser a comparação de qualquer indicador com uma referência reconhecida no mercado. No caso de investimentos, temos como exemplos de benchmarks o índice Bovespa, taxa Selic, CDI e outros. Não é objetivo desse post dizer da importância de comparar a sua carteira com algum benchmark, pois isso a maioria dos investidores já tem noção. O objetivo é mostrar que tão ruim quanto não ter um benchmark é adotar o benchmark errado para medir a sua carteira.

Para ilustrar o que quero dizer, imagine um criador de cães com cachorros de várias raças. Ele faz vários cruzamentos entre as raças e surgem vários filhotes. Em função disso, os filhotes são de todos os tipos de misturas, mas uma coisa o criador tem certeza, todos os filhotes são cachorros. Agora imagine outro criador, mas de gatos, com várias raças também e que do cruzamentos dessas raças surgem vários filhotes de todos os tipos. Esse criador também tem certeza que toda a ninhada é de gatos, por mais diferentes que eles sejam. Vou falar o óbvio agora: de cachorro só se tira cachorro e de gato só gato!

Não, isso não é possível!

Não entendeu onde quero chegar? Se você tem uma carteira de investimento composta por cães títulos do tesouro direto, seu benchmark deve ter a mesma natureza, portanto a taxa Selic ou CDI, e não o índice Bovespa. Até aí dúvido que alguém discorde de mim. Porém, pela mesma lógica, se a sua carteira é composta somente de ações, o seu benchmark pode ser o índice bovespa, porém JAMAIS a taxa Selic ou CDI. Agora aposto que já tem vários se remexendo na cadeira e discordando de mim. Explico: a adoção de benchmark é para medir algo e medir uma carteira de ações com o CDI não se está medindo nada.

Vou dar um exemplo, que é extremo, mas ilustra bem o ponto. Imagine alguém com 100% da carteira com ações e cuja meta seja CDI + 6% ao ano.  Daí no ano de 2008 a carteira dele amargou uma queda de 10%. O CDI em 2008 foi de 12,3%, então a meta dele era 18,3%. Portanto ele passou longe da meta. Mas será que ele foi mal mesmo? 

Lembrando que ele só tem ações, a comparação pode ser com o índice Bovespa, que em 2008 caiu 43%. Vendo agora ele não parece que foi tão mal, não é? Não tenho esses dados, mas de todos os fundos de ações (FIA) existentes no Brasil, quantos conseguiram perder menos de 10% em 2008? Aposto que nosso investidor ficaria muito bem ranqueado.

Vamos continuar com a ilustração. Chega 2009 e o nosso investidor obteve no final do ano com sua carteira de ações um rendimento de 25%. O CDI em 2009 foi 9,9%, portanto a meta era 15,9%. Ele bateu bem a meta. Deve estar todo feliz. Porém em 2009, o índice Bovespa rendeu 83%!  Tivesse ele aplicado no BOVA11, ele tinha 70% sem se estressar com nada. Você ainda concorda com ele de que ele foi bem?

Veja que a adoção do benchmark errado levou a conclusões invertidas nos dois casos, só gerando ruído. Eu disse que ele poderia, e não deveria, comparar sua carteira com o índice Bovespa, porque se ele tivesse uma carteira de ações de small caps, ele poderia, caso quisesse mais precisão, comparar com índice Small Cap. Ou o índice Dividendos, se fosse o caso.

A minha carteira só tem ações e muitas são de small caps. Mas prefiro comparar com o índice Bovespa, pois esse é o mais representativo e com maior série histórica.

Da mesma forma, quem tem uma carteira de FIIs tem que comparar com o IFIX, nem CDI nem IBOV.

Mas a minha carteira tem um pouco de cada, como que eu faço? Meça o rendimento de cada classe de investimento com o benchmark apropriado, para ver como cada classe está performando, e depois para a carteira toda faça um índice combinado dos benchmarks ponderado na participação de cada classe.

Quer dizer então que se só tenho uma classe de ativos não devo olhar os outros benchmarks? Não é isso. Tem que olhar também, mas para avaliar se compensa migrar parte, ou o todo, para a outra classe. Imagine que a Bovespa está caindo muito, pode-se deduzir que, por correlação, qualquer combinação de investimento em ações terá como esperança, no sentido estatístico mesmo, um desempenho nessa mesma direção (assumindo apenas posições compradas). Se ao mesmo tempo o CDI está bombando, talvez seja interessante aplicar um pouco em renda fixa e aproveitar os ventos. Mas não tem nada a ver a carteira de ações caindo e concluir que está mal, porque está perdendo para o CDI, ou se iludir batendo o CDI, enquanto o Bovespa dispara na frente.
 

sexta-feira, 1 de março de 2013

Rentabilidade - Fevereiro de 2013

Esse mês o resultado foi excelente. O rendimento da carteira PB foi de 3,38% contra uma queda de 3,90% do Ibovespa, o que resultou num ganho de 7,58% sobre o Ibov. Nesse sentido, esse resultado conseguiu inclusive ser melhor que o de janeiro, que já tinha sido ótimo.

Esses dois primeiros meses do ano fizeram um colchão de rendimento que me deixou muito confortável em relação a minha meta de 0,80% acima do Ibov por mês, colocando-me 12 meses a frente da meta.


Houve um acréscimo da carteira em R$ 3.000,00. Os destaques positivos do mês foram bema3 com 23% (somos sócios nessa Mobral!), cgra4 com 14%, mrve3 com 11% e card3 com 10%. Os destaques negativos foram sapr4 com -12% e autm3 com -7%.

Recebi só R$ 85,00 de proventos vindos de abcb4. Recebi direitos de subscrição de pine4, porém virou pó antes que eu vendesse. Novamente não aportei nada esse mês.

Veja a carteira de fechamento de mês:


Nesse mês vendi ggbr3 e goau3, ambas com prejuízo. Os balanços ruins dessas empresas combinado com o momentum fraco fez com que meu sistema de compra e venda desse venda para essas duas.

Com o dinheiro dessas vendas reforcei posição em bbas3, pine4 e dayc4 e consegui comprar criv4 (oh ativo arisco, levei vários dias para conseguir fisgá-lo), que agora faz parte do dream team.

Em março volto às compras com o aporte que vou fazer já que a safra de balanços está acabando. Vou girar bem a carteira com muitas compras e vendas.

Sucesso a todos!

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Fluxo de capital na bolsa

Pessoal, um dado que acompanho diariamente é o fluxo de capital na Bovespa. Todo dia a Bovespa publica o saldo, positivo ou negativo, das quatro categorias de investidores. Essas categorias são investidores institucionais (fundos de pensão, entidades de previdência privada, fundos de investimento e seguradoras), instituições financeiras (bancos), investidores estrangeiros e pessoas físicas (nós, sardinhas).

A Bovespa publica essas dados com dois dias úteis de atraso por causa do tempo de liquidação. Clique aqui se quiser ver.

Porém, esses dados puros pouco nos dizem, porque o que importa é a tendência deles no tempo. Para isso teríamos que acumular diariamente esses dados para gerar uma base histórica e plotar um gráfico para melhor visualização. Mas felizmente já tem gente que faz isso para nós. O melhor lugar que vi publicado essa informação é  em http://www.bolsafinanceira.com/fluxo-de-capital.

Abaixo temos o gráfico publicado hoje retirado desse site, atualizado até 8/2/2013, portanto com dois dias úteis de atraso, e incluindo um histórico de 5 anos.

Esse gráfico mede apenas a variação de dinheiro novo que entra na bolsa ou que sai dela no mercado à vista. Se o investidor vender X milhões de alguma ação e comprar em seguida X milhões de outra, seu saldo será zero, portanto não provocará alteração no gráfico.


Então vamos analisar categoria por categoria. A primeira coisa a se notar é que as instituições financeiras, linha verde, pouco variam no tempo. Isso significa que elas pouco trazem dinheiro novo ou levam dinheiro da bolsa. A influência delas na variação do Ibovespa é mínima, pelo menos nesse período estudado.

As grandes variações estão nas outras categorias. A grande queda de 2008 foi provocada pela saída dos investidores estrangeiros (reparem que o início da saída deles bate certinho com o início da queda), que em sua grande maioria são americanos (basta reparar como o volume da bolsa aqui cai para menos da metade quando é feriado nos EUA e aqui não).

Como a crise de 2008 foi lá, natural a saída deles. Reparem que no mesmo período da queda da bolsa (linha vermelha) e da saída dos americanos (linha roxa), os investidores institucionais e pessoas físicas trouxeram dinheiro novo para comprar as ações que os estrangeiros se desfaziam.

Depois disso, o que se vê é que passado o caos de 2008, os estrangeiros voltaram, puxando o índice para cima, mas com a saída dos investidores institucionais e pessoas físicas. Na verdade essas duas categorias vem reduzindo sua exposição na bolsa há 4 anos.

Hoje, o fluxo dos estrangeiros é o mais alto no período, superando o fluxo de quando a bolsa atingiu os topo histórico de 74.000 pontos. E a quanto estamos? Nos míseros 58.000 pontos. Portanto, se a bolsa está onde está não é por culpa dos estrangeiros. Eles estão até tentando fazê-la subir (não porque querem isso, mas quando trazem dinheiro novo essa é a consequência), mas dos investidores nacionais, seja institucionais ou pessoas físicas.

Não sei o porquê desse desânimo nacional com a bolsa e posso apenas conjecturar. Suponho que parte desses recursos migrou para imóveis (físicos ou FIIs). Ou foram para renda fixa, quando ainda rendia alguma coisa. Ou simplesmente foram injetados na economia como consumo. Sei lá.

O fato é que se houver um problema internacional grande, que envolva EUA ou Europa, a saída súbita dos estrangeiros nos moldes de 2008, e considerando que estão em maior nível do que em 2008, combinado com o menor nível dos nacionais que em 2008 e o menor nível da bolsa agora do que em 2008, esse cenário pode se tornar uma combinação explosiva que jogaria o índice certamente para baixo de 30.000 pontos.

A esperança é a pequena luz que se acendeu nos dois últimos meses com uma reação tímida das pessoas físicas. Pode ser que as pessoas físicas estejam voltando e isso ajudaria a impulsionar o índice. Vamos aguardar as cenas do próximo capítulo dessa novela.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Dica valiosa

Pessoal, hoje vou falar de uma revolução que está ocorrendo na internet. A forma de se ensinar e aprender utilizando a internet impactará todas as sociedades e quem não embarcar nessa ficará para trás.

Há um ano atrás conheci o Coursera e depois dele tive que repensar o modelo atual nosso de formação profissional. Para quem não conhece, o Coursera (www.coursera.org) é uma parceria de dezenas de universidades americanas, algumas top como Princeton, Standford e Columbia, para oferecer cursos pela internet. Inclusive  o Coursera já  conta com a participação de algumas universidades de outros países.

Atualmente são oferecidos cerca de 200 cursos em diversas áreas. Sempre tem novos cursos lançados toda semana. Os cursos tem uma duração de 4 a 15 semanas em média, mas isso pode variar dependendo de cada curso.

Os cursos são ministrados por professores desses universidades por meio de vídeos, que você pode inclusive fazer o download. Cada curso também tem um fórum de discussão que é usado ao longo do curso.

O incrível disso tudo é que todos os cursos são gratuitos. Basta se cadastrar e fazer quantos cursos quiser ou der conta. Todos que concluem os créditos do curso, realizando as tarefas definidas, recebem uma certificação pelo aproveitamento do curso. A avaliação das tarefas é feita peer-to-peer, ou seja os alunos avaliam uns as tarefas dos outros. Afinal um curso desses é normal ter dezenas de milhares de alunos espalhados pelo mundo todo e seria impossível o professor avaliar individualmente cada um.

Acredito que em breve empregadores darão muito valor aos candidatos que possuírem esses certificados, pois demonstrará alto nível de qualificação e comprometimento com o aprendizado contínuo.

Existem cursos para todos os gostos e muitos professores são bastantes renomados em suas universidades. É uma oportunidade ímpar de ter acesso a aulas dos melhores professores no assuntos, das melhores universidades, no conforto da sua casa e de graça.

Eu fiz metade do curso Computational  Investing, que está inclusive começando outra turma. Não conclui no prazo e não vou receber o certificado, mas vou continuar fazendo porque o curso é muito interessante e fica disponível para você continuar quando quiser.

Por exemplo, outros cursos que estão começando ou acabaram de começar e que são relacionados ao mundo dos investimentos são:


Isso só para citar alguns, pois tem muitos outros lá.

Todos os cursos de universidades americanas são em inglês. Então  se você não domina bem o inglês aproveite essa oportunidade para expor o seu cérebro a outra língua e você se surpreenderá com  a plasticidade dele em aprender. Afinal, se você não começar um dia nunca vai aprender e vai te restar ficar fugindo o resto da vida de toda situação que envolver o inglês.

Fica dica. Se você já fez algum curso do Coursera, conte-nos a sua experiência.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Investir com base no DY é eficaz?

Olá pessoal, este é mais um post da série "O que é eficaz" no mercado acionário. Nesse post Investir com base no Preço/Lucro é eficaz? e nesse Investir com base no P/VP é eficaz?, eu apresentei os resultados de um backtest de duas carteiras montadas exclusivamente com base nos múltiplos P/L e P/VP. 

O senso comum tem que P/L e P/VP são melhores quando menores.  O backtest corroborou esse sentimento para o P/L, mas apenas parcialmente para P/VP. Agora vamos apresentar os resultados para carteiras montadas com base no Dividend Yield, ou simplesmente DY, que é o dividendo pago por ação dividido pelo preço da ação. O senso comum diz que quanto maior o DY maior o potencial de valorização.

Os resultados desse backtest eu retirei do livro What Works on Wall Street de O'Shaughnessy, 4ª edição, que não tem versão em português.

O backtest consistia em mensalmente ranquear as ações do mercado americano em ordem decrescente de DY e separar em grupos de 10%, chamados decis, e acompanhar mensalmente o rendimento desses decis com base num investimento inicial de $10.000,00 em cada decil. O backtest utilizou dados de 83 anos. Mais detalhes do método do backtest eu já descrevi nesses posts anteriores, portanto não vou repetir aqui, assim podemos ir para os resultados diretamente.

Como você pode ver na tabela abaixo retirada do livro não foi o primeiro decil, de maior DY, que gerou o maior rendimento. O maior rendimento coube ao terceiro decil com 12,08% ao ano de rendimento contra 11,77 do primeiro decil. Isso pode parecer pouco, mas depois de 83 anos representou 40% a mais, gerando $144 milhões contra $102 milhões. 


O segundo e quarto decis também foram melhores que o primeiro. Situação semelhante também ocorreu na análise do P/PV. Só que lá o melhor decil foi o segundo.

O terceiro decil além do rendimento maior que o primeiro teve também volatilidade menor, o que resultou ao terceiro decil o maior índice Sharpe, portanto o decil mais eficiente para se investir.  

O gráfico abaixo mostra um comparativo de cada decil:


A minha conclusão é que como o melhor decil fica meio que no meião do ranking, fica difícil selecionar ações somente com base no DY. Mas essa análise pelo menos mostraria no que não investir. Se o DY alto não serve para indicar o melhor rendimento, o menor DY, normalmente zero quando a empresa não paga nada, indica baixo potencial de rendimento, basta reparar no nono e décimo decis. 

Assim, tendo em conta apenas a análise do DY, eu usaria essa informação não para comprar, mas para fugir de empresas com DY abaixo da média do mercado, que numa consulta rápida ao Fundamentus, seria de 3,35%.

Mas é claro que a maioria das pessoas não vai utilizar apenas esse indicador, né Pobretão?

E agora você ainda tem fé na busca dos maiores DY? Ainda se sente tranquilo com cmig4, elet3, enbr3 e a famigerada elpl4 na carteira?